Dev é um rapaz introspectivo e ressentido, cujo pai o deixou ainda bebê. A única lembrança que ele guarda do pai é uma caixa, a qual nunca teve coragem de abrir. Laura é nerd e adora desenhar, mas reprime seus gostos e habilidades para não perder a amizade das meninas mais populares da escola. Pipo tem imaginação aguçada, mas apesar de ser um “crianção”, é autêntico e prático.
Fatos do passado e modismos presentes podem direcionar nossa vida para um buraco negro que termina nos consumindo por inteiro. Essa é a premissa da graphic novel Achados e Perdidos (212 páginas, colorido em papel couché + CD, R$ 30,00), escrita, desenhada e colorida por Eduardo Damasceno e Felipe Garrocho, primeiro lançamento do selo independente Quadrinhos Rasos.
A história começa com Dev preocupado por ter acordado com um buraco negro no lugar da barriga. Ele revela a situação a Pipo, que parte para investigar aquela anomalia. Pipo descobre que o buraco negro de Dev culmina no quarto de uma colega da escola, Laura. Procurando saber por que Dev e Laura ganharam “poderes especiais”, Pipo será a peça-chave capaz de trazer os amigos de volta à normalidade.
Com essa parábola kafkiano-adolescente sobre aceitação e amadurecimento, Damasceno e Garrocho nos brindam com uma das melhores publicações nacionais desse ano. O traço cartunesco e limpo, e a paleta de cores centralizada em tons pasteis, cativam os leitores, aproximando-os da fictícia realidade dos três personagens.
E a experiência de poder ler cada capítulo ao som de uma trilha sonora, criada por Bruno Ito exclusivamente para a presente edição, é única. As oito melodias de Ito conseguem acentuar os momentos de suspense, drama, ação e comédia, tal qual acontece nos filmes. Selecionar a faixa preferida é batata, melhor ainda quando temos a opção de poder escutar as músicas em formato mp3 (sim, eles pensaram em tudo!).
Nos extras, os três autores comentam o processo de criação da história e da trilha sonora, com imagens dos esboços das várias fases da produção, explicando quem fez o quê.
Todo esse material chegou às mãos dos leitores via crowdfunding, com mais de quinhentas pessoas contribuindo por acreditar no projeto. Orgulho-me de ter sido uma delas.
Quem quiser adquirir Achados e Perdidos pode fazê-lo pelo site do coletivo Pandemônio.













Reparei bem num detalhe: 212 páginas, colorido em papel couché + CD, R$ 30,00.
Preço e brindes competitivos. Mesmo eu sendo fã de revistas com, no máximo, 64 páginas.
Já comprou o seu?
Deveo dizer novamente Milena que sua aposta, assim como o de muitas pessoas nos artistas de nosso país é elogiável. Espero que continuemos assim, pois nosso país e cultura nos estimula a contar inumeras historias capazes de comover e de despertar o interesse de nossa nação para nossa cultura e para as hqs que abordem o tema com tanta sensibilidade. Parabéns autores pela Graphic e pelo preço esta muito bom!
Olha eu sinceramente espero que não continue assim nada. Sei lá parece que aqui as pessoas não tem visão de mercado e fazem quadrinhos para elas mesmas lerem. Onde foi que eu li uma materia sobre isto mesmo?
Leiam o artigo novamente:
Buraco negro.
Achados e perdidos
A editora se chama quadrinhos RASOS?
212 páginas sobre a história de um rapaz introspectivo e ressentido? Com um Cd com mais introspecção e resentimento do personagem.
E foram preciso 500 pessoas pro negócio andar?
Imagino quantas criancinhas vão guardar o dinheiro do lanche, por que este lançamento é ululante e imperdível.
Tem poster prá colocar no quarto?