Frederico Pinto e José Maia retomam a parceria do curta Docinhos, assinando a direção do longa de animação nacional As Aventuras do Avião Vermelho, que esteve presente duas vezes no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, apresentando o projeto internacionalmente e buscando parceiros.
Fiz essa entrevista ano passado, para a revista MOVIE, mas como a mesma interrompeu suas atividades, aproveito para postá-la aqui.
1) O que levou à escolha da adaptação de uma obra infantil de Érico Veríssimo para um longa de animação?
Érico Veríssimo sempre foi uma grande referência narrativa, fundamental para a nossa formação. No entanto, a sua obra voltada ao público infantil nunca foi adaptada para o cinema. Quando começamos a planejar um longa-metragem em animação, relemos as obras do Érico e As Aventuras do Avião Vermelho era a sua obra mais cinematográfica. Além da possibilidade de trabalhar com grandes paisagens e movimentos gerados pelo Avião, a história tocava em temas relevantes: a descoberta da leitura e o poder transformador da imaginação.
2) As aventuras do avião vermelho irá juntar desenhos 2D com cenários 3D, assim como ocorreu com a recente animação argentina Boogie, el aceitoso. Quais as vantagens do emprego conjugado dessas duas técnicas?
Como o resultado estético que buscamos é o 2D, o 3D é usado como uma ferramenta que facilita a produção. Aliamos o melhor da animação 2D (animação de personagens) e o melhor da animação 3D (movimentação de câmera e animação de máquinas). Essa combinação de técnicas é também chamada de 2D e ½.
3) O elenco de dubladores conta com os tarimbados atores Milton Gonçalves, Lázaro Ramos, Wandi Doratiotto e Zezeh Barbosa. A maior parte deles dublou as vozes sem ter contato direto com os personagens na tela. Por que vocês utilizaram a estratégia de gravar o som antes de finalizar os desenhos?
Apostamos no ator como elemento fundamental do processo de construção do personagem. Dessa forma, a voz e o gestual do ator (registramos imagens dos atores gravando as vozes) servem de inspiração para os animadores criarem os movimentos dos personagens.
4) Vocês conseguiram captar boa parte orçamento, que é de três milhões de reais. Há patrocínio Federal, Estadual, Municipal e de algumas empresas privadas gaúchas. Qualquer empresa brasileira pode entrar como patrocinadora e ajudar o aviãozinho vermelho a decolar?
Nós contamos com o patrocínio de grandes empresas nacionais, como a Petrobras e o BNDES, e também de empresas do RS, como o BANRISUL, BRDE, CORSAN, METASA, RANDON, ENY CALÇADOS, UNIFÉRTIL. As empresas interessadas em complementar o patrocínio podem investir via leis federais e, em breve, através da Lei Estadual. Além de poder investir com verba direta.
5) A equipe técnica é praticamente toda gaúcha ou com formação em universidades gaúchas. Isso se deu por acaso, por comodidade ou por existirem profissionais com excelente know how na querência?
O RS tem bons profissionais, alguns com experiência e outros em formação. Muitos dos animadores que trabalham aqui no estúdio e no estúdio do Otto Guerra foram alunos do José Maia. Como o mercado está crescendo é importante que se fortaleça essa formação.
6) Porto Alegre é uma cidade com tradição em cinema. Será que vai virar também um pólo para a animação nacional?
Nos últimos 5 anos o mercado de animação nacional cresceu muito e estamos em uma boa fase de produção de longas e séries para televisão. Porto Alegre sempre teve um histórico de produção de animação, que também cresceu nesses últimos anos. Passamos a produzir, além dos curtas, longas-metragens e projetos de séries de TV. No ano passado foram produzidos 3 projetos do AnimaTV, um deles foi produzido pelo nosso estúdio.












