[Cinematógrafo] O pulo do gato

O olhar inocente e a dublagem de Antonio Bandeiras fizeram do Gato de Botas um dos personagens mais carismáticos da franquia Shrek, tanto que ele ganhou um spin-off esse ano, dirigido por Chris Miller (Shrek Terceiro).

O Gato de Botas (Puss in Boots – 2011) segue a mesma linha de Shrek, costurando a trama com uma mistura de vários contos de fadas e personagens clássicos da literatura europeia, mas vai além ao se permitir brincar com tradicionais músicas infantis norte-americanas (Jack and Jill), fazendo referências a filmes, como A Máscara do Zorro e Clube da Luta, além de caracterizar o Gato como um autêntico galã de novela mexicana.

Em sua primeira aventura solo, vemos o “ruivinho” bem antes de ele conhecer Shrek e sua patota. O longa narra a origem do personagem, com direito a uma sequência em flashback, mostrando como o Gato chegou ao vilarejo de San Ricardo e fez amizade com o ovo Humpty Dumpty (Zach Galifianakis). E é Humpty quem primeiro lhe fala sobre os feijões mágicos, o castelo e a gansa que põe ovos de ouro. Mas enquanto o Gato queria fazer justiça, seu amigo ovo utilizava a mente para bolar roubos mirabolantes. Enganado por Humpty Dumpty, o Gato fugiu de San Ricardo e teve sua cabeça posta a prêmio.

Após viver mil e uma aventuras e amores, o Gato de Botas reencontra Humpty, que tem a ladra Kitty Pata-Mansa (Salma Hayek) como nova aliada na busca pelos feijões mágicos e os ovos de ouro. Convencido por Kitty a dar uma chance ao ovo e retomar a antiga amizade deles, o ruivinho aceita desembainhar sua espada e ir à caça dos ditos feijões.

Brian Lynch foi um dos roteiristas que assinou a animação Hop – Rebeldes sem páscoa, um dos sucessos de bilheteria norte-americano desse ano (só caiu no ranking com a estreia de outra animação, Rio), e junto com Tom Wheeler (roteirista da série de TV The Cape) e mais três nomes vindos de uma safra de novos escritores, conseguiu criar ótimas piadas e situações que estão fazendo do Gatos de Botas líder absoluto de bilheteria não apenas nos EUA, como também no Canadá, na Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Hungria, África do Sul, no Brasil e na Argentina, prestes a passar da marca de 300 milhões dólares em todo o mundo, segundo o Box Office Mojo, site especializado no seguimento.

Esse sucesso todo é merecido, pois com um roteiro legal e a mão de Chris Miller conduzido-o, temos uma animação que garante bons risos, momentos de tensão e adrenalina pura, números de dança e um charme melodramático bem latino que empolgam toda a família, mesmo com o ritmo do longa diminuindo na última parte.

O Gato de Botas é o terceiro spin-off bem sucedido da DreamWorks, que havia feito o mesmo com os pinguins de Madagascar, e os Cinco Furiosos de Kung Fu Panda. E não será surpresa se o gato sedutor ganhar uma franquia só dele, sem nem precisar crescer os olhos e mostrar sua máscara de fofura.

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2 respostas a [Cinematógrafo] O pulo do gato

  1. Giorgio disse:

    Vou assistir. E podem me xingar, só que eu sou mais as animações cômicas da Dreamworks do que alguns trabalhos “mela-cueca” da Pixar.

  2. Milena Azevedo disse:

    Eu sou fã da Pixar, mas a DreamWorks vem acertando a mão faz algum tempo. É impressionante como as texturas e os vários tipos de pelos e penas presentes em o Gato de Botas são reais. É a união entre técnica, roteiro e direção.

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